Psicologia da Criança

domingo, 30 de outubro de 2011

"Sexualidade infantil: expressão de pensamentos e de sentimentos"

 



Resumo:

Diante da grande quantidade de informações sobre sexo, antes omitido e agora escancarado, que são mal interpretadas, muitas vezes pela maneira que estas informações são expostas em casa, pela TV, internet, no convívio social dentro e fora da escola, surge a necessidade de aprofundar os estudos e pesquisas sobre sexualidade na formação dos profissionais da educação. Uma vez que, ao aprofundar tal conhecimento eliminam-se preconceitos e censuras sobre a sexualidade humana, desconstruindo a concepção equivocada de que sexualidade é sinônimo de ato sexual. Por se evitar um aprofundamento na discussão sobre sexualidade, e por se determinar histórica e culturalmente este assunto como sendo vergonhoso e censurável, é que observamos como as educadoras e educadores lidam com essa herança cultural de preconceito perante a realidade do desenvolvimento sexual das crianças, pois, este faz parte da natureza humana e tem fundamental importância na formação da personalidade. A sexualidade está presente no desenvolvimento da personalidade e também do comportamento e do sentimento infantil, ligados sempre à motivação que a criança possui para interagir socialmente com outras crianças e com os adultos. A partir disso, revemos as concepções sobre sexo e quebramos conceitos culturais, sociais e até políticos sobre como lidar com a sexualidade. Muito antes da sociedade contemporânea moderna, a idéia era que as crianças não possuíam sexo e assim não deveríamos nem comentar sobre sexualidade infantil, para que esta não se manifestasse como afirma os estudos de Foucault (1999). Era então, confiscada pelo grupo social vigente, a burguesia, o direito de se discutir sobre sexualidade. Trabalhamos contra o tempo na constante vontade de mostrar que nossas crianças possuem sexo e sexualidade e que podem e precisam falar sobres eles, tornando-se conscientes do corpo e da sua afetividade, construindo assim, conhecimentos sobre si mesmas, e sobre o mundo que as rodeiam. Para que haja qualidade na educação sexual é preciso utilizar os meios de comunicação como instrumento real para falarmos sobre sexualidade, já que estes meios como influenciadores e formadores de opiniões, muitas vezes não educam, apenas transmitem idéias superficiais e equivocadas. Também para os pais, as expressões educativas necessárias sobre o assunto só serão adquiridas com esforço e estudo, o que implica na compreensão de que a sexualidade deve estar presente na vida sem vulgarizações ou posições radicais. Devemos estudar para promovermos discussões sobre a história da sexualidade e sobre o desenvolvimento psicossexual. Depois das fundamentações dos estudos de Freud foi se desvinculando na sociedade certos conceitos e por mais que esta o achasse louco até hoje carrega suas orientações. A partir dessa maneira de estudar sobre sexualidade observamos que o ser humano e seu comportamento é bastante condicionado pela sexualidade. É notório que uma abordagem pedagógica e psicológica nos distanciará de um sistema educacional que distrai nossa visão sobre a realidade e verdadeira necessidade educacional. Portanto, observamos que existe uma carência de discussão e desconstrução de tabus e costumes entre os profissionais de educação, especificamente na infância. Neste sentido, foram promovidas oficinas com professoras e aluno/as de educação infantil com o objetivo de abrir espaços de estudos sobre o desenvolvimento psicossexual, com atividades vivenciadas que promovessem troca de experiência entre os profissionais de creches públicas estaduais e alunas do curso de pedagogia da UEPB. Nos encontros que aconteceram em três etapas buscou-se conscientizar sobre a importância de se evitar inúmeras situações constrangedoras e castigos desnecessários, violência e abusos sexuais sofridos pelas crianças, o que confunde e traumatiza a percepção das mesmas sobre o corpo e a sexualidade. É importante abordar na escola de maneira pedagógica e humana a educação e orientação sexual diante desta realidade social, levando em consideração que a escola é vida e não um recorte dela, nossa busca por metodologias e estudos deve ser maior que todos os problemas existentes.

PALAVRAS CHAVE: Sexualidade, desenvolvimento psicossexual, desenvolvimento infantil.